Bichos no olho


Costumo dizer que nadar é apanhar uma carrada de bichos e fungos com nomes estranhos e histórias para contar. 

Quem nunca apanhou moluscos? Deu com uma verruga no pé ou teve mesmo pé de atleta? Infecção respiratória por Mycoplasma? Impetigo? E outras que eu ainda não conheço mas, a avaliar pela predisposição da cria para apanhar tudo, desconfio que daqui a uns anos estou uma enciclopédia de micro organismos desenvolvidos em ambiente de piscinas.

Daqui a dias, fará dois meses que a pequena não toma o gosto ao cloro. Tudo começou com uma pequenina bolinha vermelha no olho, parecida com uma picada inofensiva, que num par de dias se tornou um pesadelo. Um dia, acordou com o olho todo vermelho e inchado ao ponto de parecer que tinha sido esmurrada! 

Lá fomos nós para o hospital onde percebemos que os gânglios linfáticos, junto ao ouvido, estavam inchados por estarem a combater aquela infecção. Dermatite de contacto, foi o primeiro diagnóstico. Supostamente provocada pelos óculos. Vai de Maxilase e uma pomada ligeira e, supostamente, melhoraria em dias. Só que não.

De lá até cá, já devidamente diagnosticada com Impetigo na pálpebra, tem sido um desfile de pomadas. Cada uma a fazer o seu efeito, cada uma insuficiente para combater depressa esta coisa agressiva e chata. Por ser numa zona delicada, a prescrição obedece sempre a produtos oftalmológicos e, como vim a descobrir, não há assim tantos no mercado capazes de tratar eficazmente.

Passou por tudo: bolhas vermelhas, crostas amarelas e pele escamada. Sucessivamente. E muitas outras vezes. Com muita paciência, estamos a conseguir tratar. Muita paciência e amor porque, apesar de ela entender que não pode nadar, tem dias que lhe custa estar parada e afastada do que mais gosta fazer. 

Tem plena consciência de que, para curar bem, não pode facilitar nada e o treinador tem sido incansável ao passar-lhe essa mensagem. Para não perder tudo, continua a fazer reforço muscular e preparação física com a equipa. 3 vezes por semana que não chegam para quem nada todos os dias e, assim, a solução passa por metê-la em cima de uma bicicleta ou a correr para garantir a resistência cardio-vascular.

Não foi às provas de Janeiro e também não será inscrita nas de Fevereiro. Quando voltar, vai trabalhar para o que aí vem que é muito: um tempo para os nacionais. Passos pequeninos, digo-lhe eu. E então, ela olha para mim, de bicho chato no olho que brilha, e diz-me: "eu só quero é ficar boa". 
Eu sei, meu amor, eu sei.

Mãe.


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