Quem espera



Quem espera não pode desesperar, aliás, tem de ser bastante inventivo para aguentar aquela meia hora extra de treino ou a paródia que se prolonga por mais 10 minutos, no balneário. Às vezes, tudo somado, a coisa pode prolongar-se por uma hora!

Esperar é chato, especialmente hoje, que chuvisca, e não dá para tirar o filhote, que espera comigo, do carro e dar uns toques na bola. Solução: vamos fazer desenhos!
Ajuda quando o filho divide este tempo comigo. É assim uma espécie de tempo de qualidade enclausurado em que aproveito para fazer algo a dois, para conversarmos sobre o dia e sobre as nossas coisinhas. O lugar não é o ideal mas é o possível e este meu filho tornou-se num verdadeiro parceiro de espera!

Ser mãe de uma nadadora é isto: fazer do carro uma assoalhada extra para entreter quem espera. No porta bagagens há mantas, uma almofada, comida. No banco da frente há lapis de cor, folhas e livros. E sempre música a tocar. Temos playlists para tudo e cantamos imenso. Dizemos disparates e rimos. Ou ficamos sossegados, cada um com os seus afazeres.

À conta da espera, consegui colocar a leitura em dia e tornei-me numa jogadora feroz de um jogo para adivinhar nomes de músicas. Uma festa!

Quando a chuva cai, os outros pais também ficam recolhidos nos seus carros. Todos, alinhados lado a lado, de cabeça baixa, fixa na luz inconfundível de um smartphone. Isto é mau porque assim não podemos ter um dedinho, ou uma mão cheia, de conversa. Às vezes o acto solitário da espera soa a solidão...

A espera dá para tudo, até para escrever enquanto aguardo a chegada da filha, atrás destes vidros molhados e embaciados.

Bom, bom era inventarem uma máquina de café ligada ao isqueiro do carro! Isso e ela despachar-se depressa porque ainda tenho de ir fazer o jantar!

Mãe

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