Deve ser isto...

Na primeira publicação, disse-vos que a ideia deste blog nasceu durante os treinos que a cria fez durante umas férias. 
Foi a primeira vez que escrevi alguns pensamentos nas notas do telemóvel. Hoje, partilho-os convosco.




São 10h20 da manhã e já estamos nisto há uma hora. O treino ainda vai a meio e já tenho as costas a gritar por estar sentada numa bancada de pedra, sem qualquer encosto ou conforto.


Lá em baixo, a pequenina nada. Sei que está cansada porque mo disse mas, mesmo que não o tivesse feito a forma como me olhou, quando entrou no balneário, disse tudo e cada movimento na àgua a denuncia.


É terça-feira e estamos de férias. Mas a condição era que nadasse todos os dias. Assim vimos nós, diariamente, às piscinas municipais, bem cedo, para que cumpra a promessa feita ao treinador. Tem as amigas na praia. Sabe que estão a aproveitar tudo o que as férias literalmente representam. Sei que gostava de juntar-se a elas e acho comovente o facto de abdicar disto para vir nadar.

É o sonho dela, a vontade dela. Eu, cá do alto da bancada e deste calor húmido que chega a ser insuportável, pergunto-me em que pensará ela quando nada, quando descansa, quando olha para o relógio que a orienta nas pausas e sprints, quando sobe ao bloco e fica, apenas, a contemplar o azul dos 25 metros.


Como disse, este é o sonho dela mas, aos poucos, sinto-o um bocadinho meu, não só porque a acompanho em tudo, como quase sinto a dureza e violência dos treinos, do tempo que se perde para se investir no que se quer ainda mais. O orgulho é imenso. Quase tão grande como este amor que lhe tenho.


Escrevo estas palavras e as lágrimas começam a cair. Pura emoção, acreditem. Sou mãe de uma pequena nadadora. Não sei até onde irá mas iremos juntas. Porque voarei sempre ao lado dela, acordarei todas as madrugadas, farei todas as mochilas e lanches e sentar-me-ei em todas as bancadas que me dão cabo das costas e do juízo.


Por este amor, até perco o meu amor às férias, que é o caso.

A pequenina tem 10 anos. A estes desabafos de mãe, chamar-lhes-ei, apenas, "deve ser isto, abraçar um sonho".

A Mãe.

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